segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
MPF/MA: Funai deve prestar assistência efetiva aos índios Guajajaras em Barra do Corda
A Justiça Federal acolheu o pedido do Ministério Público Federal no Maranhão (MPF/MA), proposto por meio de ação civil pública, e determinou a reimplantação de instalações da Funai na região de Barra do Corda e Jenipapo dos Vieiras (MA), para atender aos índios Guajajaras. As atividades da Funai no município foram interrompidas em 2007, após o fechamento do Núcleo de Apoio Local para reforma administrativa, sem que uma outra forma de atendimento fosse implantada com sucesso.
A Funai afirmou que iria retomar as suas atividades ainda em 2007, o que não ocorreu, e acrescentou que a medida se deu para fins de avaliação dos trabalhos desenvolvidos, visando à reestruturação administrativa nacional da instituição. Mas, na verdade, o MPF constatou que o Núcleo de Apoio Local dos Guajajaras foi fechado em razão da constatação do cometimento de desvios e irregularidades praticados por servidores da instituição.
A interrupção dos serviços administrativos prejudicou o atendimento e a fiscalização das terras indígenas das comunidades localizadas nas proximidades dos municípios de Barra do Corda e Jenipapo dos Vieiras, afetando especialmente os índios Guajajaras. Após o fechamento, houve o aumento dos índices de desmatamento da terra Canabrava, detectado por satélites.
Desde 2007, as antigas sedes da Funai em Barra do Corda deixaram de atender os indígenas e o trabalho passou a ser feito por servidores públicos que se deslocam ao município periodicamente, sem acolher satisfatoriamente a demanda por serviços, em uma região com grande concentração de indígenas.
A analista pericial em antropologia do Ministério Público Federal esteve em Barra do Corda e Jenipapo dos Vieiras, na terra indígena Canabrava e nessas aldeias, os indígenas afirmaram que estão sem assistência da Funai há mais de cinco anos. Os índios da região encontram-se com os serviços básicos comprometidos, como o registro de nascimentos e óbitos, além dos casamentos contraídos segundo os costumes tribais. Mas, o principal prejuízo é o desmatamento das áreas.
A Justiça Federal determinou então, que a Funai promova o restabelecimento dos serviços destinados ao atendimento às etnias indígenas Guajajara em Barra do Corda e Jenipapo dos Vieiras, mediante a instalação de uma unidade descentralizada na região, com instalações, equipamentos e pessoal suficiente, no prazo de seis meses, sob pena de multa diária, a ser fixada pela Justiça.
Assessoria de Comunicação
Procuradoria da República no Maranhão
Retirado do sítio eletrônico da Procuradoria da República no Maranhão
http://www.prma.mpf.gov.br/noticia-3529
sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
Desgraça e Sadismo andam lado a lado no Maranhão
Prazer em ver o sofrimento alheio. Isto é o que acontece na comunidade quilombola de Depósito, município de Brejo. Inserida numa área de 777 hectares, a comunidade é formada por 22 famílias. Depois de anos de conflitos com a proprietária, apenas 5 famílias continuam residindo no território. As outras 17 famílias estão espalhadas ao redor da fazenda, e apenas trabalham na terra.
O sadismo tem um nome: Maria Vitória Lages. A proprietária da fazenda (que reside na cidade de Campo Maior-PI) é a algoz daquela comunidade. Desde 2007, a proprietária cumpre um ritual sagrado: queimar as roças dos quilombolas e presenciar os fatos. Isso mesmo. Ao longo desses anos, com ou sem força policial, na época da colheita, a Sra. Maria Vitória vai à fazenda para destruir o plantio da comunidade. Consta asseverar que na fazenda, não existe nenhum linha de roça plantada pela proprietária. Nenhum cultivo de árvores frutíferas. Nenhum projeto de extrativismo de carnaúbas (comuns na região). Apenas umas poucas cabeças de gado.
Se não bastasse toda a desgraça sofrida por essas famílias, suas lideranças ainda são criminalizadas por reivindicarem seu direito. Além das ações possessórias intentadas pela Sra. Maria Vitória, várias ações criminais e cíveis foram ajuizadas. Todas com incrível celeridade processual. Por outro lado, os vários Boletins de Ocorrência registrados pela comunidade ficaram apenas no registro. Não me arrisco a dar uma resposta...
A realidade das cinco famílias que ainda persistem em residir na localidade é de entristecer e amolecer os corações mais gélidos. Casas de pau a pique, cobertas de palhas, a beira do Rio Parnaiba. Sem energia elétrica, sem agua potável, dão o aspecto de miserabilidade ao local. Por intransigência da proprietária, as políticas públicas essenciais não chegam na comunidade.
Ver a luta daquelas famílias em continuar no seu território, em que pese todas as forças (oficiais e extra-oficiais) contrárias, fortalece ainda mais a nossa luta. A comunidade agora encontrou parceiros que darão suporte e assessoria necessários para os enfrentamentos sociais, administrativos e judiciais. Não tenho dúvidas de que sairão vitoriosos.
quinta-feira, 2 de dezembro de 2010
CEDDH divulga carta em defesa da dignidade da pessoa humana
Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos – CEDDH-MA.
Fórum Permanente de Debates sobre Direitos Humanos e Política Penitenciária.
Carta aos Maranhenses
Em defesa da dignidade humana.
A dignidade da pessoa humana é um fundamento constitucional da Republica Federativa do Brasil, enunciado no artigo 1º, inciso III, a sua realização constitui-se desafio permanente na tão desigual sociedade brasileira e sua promoção é compromisso, permanente, de todos (as) os defensores (as) dos direitos humanos.
A sua concretização nos espaços de privação de liberdade, em especial o sistema carcerário tem sido obstaculizada pela concepção de que este espaço é ocupado pela “escoria da sociedade”, fato que justifica o descaso dos governantes e determina as condições sub-humanas dos presídios, transformados em depósitos humanos, marcados pela a falta de estrutura, pela superlotação, pela ausência de políticas públicas de saúde, educação, trabalho e justiça bem como por um meio ambiente insalubre, sujo, que acarreta violência sexual entre presos, proliferação de doenças graves, facilidade no trafico de drogas e armas e a predominância da lógica de sobrevivência onde o mais forte, subordina o mais fraco.
Apesar do esforço de igrejas e instituições de direitos humanos públicas ou privadas, pouco se tem alterado dessas condições, assim é que de tempos em tempos rebeliões são realizadas, presos marcados são sentenciados e mortos por seus próprios companheiros e funcionários e familiares de detentos são transformados em reféns.
No Maranhão, só neste ano de 2010, 34 pessoas foram assassinadas dentro das 07 unidades prisionais existentes no complexo de pedrinhas, onde os presos (as) são esquecido (as), a corrupção vem sendo denunciada e cresce de maneira assustadora.
Assim é que as entidades e pessoas articuladas neste Fórum comprometem-se a lutar:
1. Pela criação de uma Secretaria de Estado própria para a Administração Penitenciária, onde se efetive uma institucionalidade protetiva, tendo em vista que a Secretaria de Segurança Pública, a qual a administração penitenciária se encontra vinculada, tem um caráter coercitivo punitivo, colidindo com o desígnio da Execução Penal, que é proporcionar condições para a reintegração social do condenado e do internado;
2. Escola de Administração e Formação Penitenciária do Maranhão;
3. Pela construção de novas e pequenas unidades penitenciárias, com a realização de concurso público para ampliação do quadro efetivo de agentes penitenciários ,inspetores penitenciários, auxiliares de serviços penais e analista penitenciário este último com formação em Serviço Social, Psicologia, sociologia,direito, educação física, todos em conformidade com o PCCR – PLANO DE CARGOS, CARREIRA E REMUNERAÇÃO lei aprovada em 15 de abril de 2009, dentre outros profissionais indispensáveis ao acompanhamento da execução da pena;
4. Pelo fortalecimento no Estado de experiências como a das Associações de Proteção e Assistência aos Condenados – APAC’s, a exemplo da APAC existente no município de Pedreiras, reconhecida pelo Conselho Nacional de Justiça como modelo de gestão administrativa eficiente e eficaz na reeducação de presos;
5. Pela criação de Unidades de Pronto Atendimento (UPA’s) voltadas par atendimento da população carcerária; Assinatura imediata do termo de adesão ao programa nacional de saúde penitenciária;
6. Para que a situação jurídica dos presos seja atualizada de forma garantir a concessão dos benefícios legais, como livramento condicional, progressão de regime, indulto e extinção da pena, entre outros quando for o caso.
7. Pela apuração e a aceleração dos processos administrativos em curso na Corregedoria Geral do Sistema de Segurança Pública para apuração de eventuais desvios funcionais e condutas ilegais, em especial as acusações de tortura;
8. A criação de um Comitê e Mecanismo de Prevenção à Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanos ou Degradantes no Estado do Maranhão, para monitoramento permanente das condições existentes nas carceragens policiais, presídios, unidades sócio-educativas e manicômios, com independência funcional e recursos necessários para seu funcionamento, consoante as diretrizes do Protocolo Facultativo à Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e outros Tratamentos ou Penas Cruéis, Desumanas ou Degradantes, assinado pelo Brasil em 2007;
9. Pela criação de um Conselho Estadual de Política Criminal e Penitenciária;
10. Estruturar e fortalecer a atuação fiscalizadora dos Conselhos Penitenciários e das Comunidades.
11. Manter o valor do fundo estadual penitenciário no orçamento anual de 2011.
SÃO LUIS, O1 DE DEZEMBRO DE 2010
Pactuado por :
Conselho Estadua de Defesa dos Direitos Humanos;
Ministério Público do Maranhão;
Vara de Execução Criminal da Capital;
Secretaria Municipal de Segurança com Cidadania;
Assembléia dos Deputados Estaduais;
Secretaria Adjunta de Administração Penitenciária;
Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Maranhão;
Sindicato dos Policiais Civis do Maranhão;
Comissão de Justiça e Paz;
Associação de Proteção aos Condenados – APAC-Pedreiras;
Pastoral Carcerária;
Associação dos familiares de Pessoas Presas do Maranhão – AAFAMA;
Sociedade Maranhense dos Direitos Humanos;
Assinar:
Postagens (Atom)