quinta-feira, 9 de junho de 2011

Em informe anual, ANISTIA INTERNACIONAL cita o Maranhão e critica decisão do STF sobre Lei da Anistia



Em recente informe anual sobre a situação dos Direitos Humanos no mundo, o Estado do Maranhão foi apontado em dois eixos: "Tortura e outros maus-tratos/condições prisionais" e "Disputas por terra". Além destes dois, o Informe 2011 da ONG internacional, no que tange ao Brasil, destaca ainda os eixos de "Segurança Pública", "Direito à Moradia Adequada", "Direitos dos Povos Indígenas", "Direitos dos Trabalhadores", "Impunidade" e "Defensores dos Direitos Humanos".

Na introdução sobre a situação dos direitos humanos no Estado Brasileiro, a Anistia Internacional afirma que "as comunidades que vivem em situação de pobreza continuaram [em 2010] a enfrentar uma série de abusos dos seus direitos humanos, como despejos forçados e falta de acesso a serviços". Continua ainda o texto inicial do Informe 2011 que "povos indígenas, quilombolas e trabalhadores sem terra enfrentaram ameaças, intimidações e violências em decorrência de disputas por terras. Defensores dos direitos humanos continuam correndo perigo, tendo dificuldades para obter proteção do Estado."

O extermínio ocorrido no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em outubro de 2010, foi informado no informe da Anistia Internacional.

"Em outubro, facções rivais mataram 18 prisioneiros em duas penitenciárias do Maranhão. Quatro foram decapitados. Os distúrbios começaram quando os presos reclamaram da superlotação, da péssima qualidade da comida e da falta de água."

No eixo que aborda a questão sobre disputas por terra, a Anistia Internacional (AI) relata que, geralmente, as ameaças e atos de violência contra trabalhadores sem terra são praticados por pistoleiros contratados por fazendeiros, e poucos casos foram investigados adequadamente no ano passado.

A execução da liderança quilombola do Charco, Flaviano Pinto Neto, em 30 de outubro de 2010, foi o caso paradigmático citado no Informe 2011 da AI.

"No município de São Vicente de Férrer, estado do Maranhão, fazendeiros locais ameaçavam constantemente a comunidade do Charco, que realizava uma campanha para que suas terras fossem reconhecidas como um assentamento quilombola. No dia 30 de outubro, o líder comunitário Flaviano Pinto Neto foi morto com sete tiros na cabeça. Outro líder comunitário, Manoel Santana Costa, foi diversas vezes ameaçado de morte, assim como outros 20 membros da comunidade."

Outro ponto que merece destaque no informe da AI é a decisão do STF sobre a interpretação da Lei da Anistia brasileira. A ONG internacional afirma que "O Brasil continua atrasado em comparação aos demais países da região na sua resposta às graves violações de direitos humanos cometidas no período militar". Lembra, ainda, a AI que a atual interpretação da Lei de Anistia nacional resultou na impunidade dos indivíduos acusados de violações graves contra os direitos humanos, como a tortura, estupros e desaparecimentos forçados, cometidos na época da Ditadura Militar.

Por fim, no eixo sobre Impunidade, a AI cita a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, de novembro de 2010, na qual conclui que o Estado Brasileiro é responsável pelo desaparecimento forçado de 62 pessoas no episódio que ficou conhecido como Guerrilha do Araguaia. A Corte constatou que o Brasil havia violado o direito à Justiça ao não investigar adequadamente esses casos e a sonegar informações. A OEA concluiu ainda que a "Lei de Anistia de 1979 está em desacordo com as obrigações de direito internacional do país e que não pode ser usada para impedir a abertura de processos por graves violações dos direitos humanos."

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Comunidade quilombola do Charco em clima de tensão devido a ameaças e atentados

Reportagem da TV Globo, programa Globo Rural

O quilombo Charco fica localizado no município de São João Batista, no norte do Maranhão. São 1.400 mil hectares ocupados por 71 famílias de quilombolas, descendentes de antigos escravos que viveram na região.
No local, as pessoas vivem com medo. A lavradora Maria Ivanildes Campos mora com os três filhos num casebre de palha e teme ações de pistoleiros. “Eu tenho medo de morrer. Perder minha vida, porque minha vida é uma só”.

Veja o vídeo da reportagem 

O dia-a-dia na roça também virou um tormento. A lavradora Maria do Rosário Santos agora trabalha assustada na lavoura de mandioca. “Fico assim com medo deles virem e matar a gente porque já mataram um companheiro que estava aqui com a gente.” Clima é tão tenso no quilombo, que muitos estão abandonando as terras. Foi o caso da família que morava em uma das casas do local.

O casebre está fechado, assim como vários outros na vizinhança. “Ficaram com medo de ficar sozinhos. Ficaram com medo e saíram”, conta o lavrador Davi Vicente Meneses.

O medo dos quilombolas tem motivo. Em outubro do ano passado, o líder deles, Flaviano Pinto Neto, foi morto em uma emboscada. O fazendeiro Manoel Gentil Gomes, que reivindica a posse da área, foi apontado no inquérito policial como mandante do crime. Ele foi preso, conseguiu um salvo conduto e aguarda o processo em liberdade.

Hoje, o novo líder dos quilombolas, Manoel Santana, vive sob escolta para não morrer assassinado. Ele ocupa o topo da lista com 27 pessoas juradas de morte no Maranhão, segundo a Pastoral da Terra. Para proteger a vida dele, a Força Nacional de Segurança Pública foi acionada. Policiais de elite de vários estados e corporações, sob o comando do Ministério da Justiça, foram deslocados para o assentamento.
“Ando 24 horas aos cuidados da Força Nacional. (...) Minha ida e vinda é garantida por eles”, afirma o líder quilombola, Manoel Santana.

Segundo a Pastoral da Terra, no ano passado, no Maranhão, foram assassinados quatro camponeses, vítimas de conflitos de terras.

A antropóloga do Incra, Lidiane Amorim, é quem coordena o setor de regularização de quilombos do Incra, no Maranhão. Ela falou sobre a situação da comunidade.

“Infelizmente a situação de Charco é um retrato de todos os quilombos no Maranhão e no Brasil. O Incra é uma instituição que tem um contingente de técnicos muito pequeno. No Maranhão temos 266 processos abertos e só temos 14 relatórios publicados. Então você vê a questão da questão quilombola e o tratamento que está tendo pelo governo. Poderia te citar várias situações comunidades que estão na mesma situação, são mais de cem, e estão na mesma urgência da comunidade de Charco, e não tem estrutura para atender, não tem estrutura operacional. Então o problema não é questão do recurso é a estrutura da instituição, que não está adequada para atender essa política com qualidade e eficiência que ela merece ter”.

sábado, 4 de junho de 2011

CEJIL seleciona advogado para litigar junto à OEA



Advogado Bilíngue
CEJIL

FORMAÇÃO:Bacharel em Direito
PRAZO DE INSCRIÇÃO:14 de junho de 2011 
OBJETIVO DA ORGANIZAÇÃO: Direito Internacional dos Direitos Humanos na América Latina
DATA DE INÍCIO: imediato
 
O Centro pela Justiça e o Direito Internacional (CEJIL)  procura um Advogado bilíngue (Português / Inglês) para litigar casos de direitos humanos perante o Sistema Interamericano de Proteção dos Direitos Humanos.  Este cargo será destinado para o escritório do Rio de Janeiro.
 
RESPONSABILIDADES
                                                                                                                  
1.Apoiar o litígio de casos, principalmente do Brasil perante a Comissão e a Corte Interamericanas de Direitos Humanos;
2.Manter contato com as ONGs locais, representantes de governos e organizações internacionais na América Latina;
3.Fomentar e apoiar ações de capacitação, workshops e materiais sobre o Sistema Interamericano ou do direito internacional dos direitos humanos;;
4.Apoiar e participar de atividades destinadas a fortalecer o Sistema Interamericano, como escrever textos com posicionamentos, participando em iniciativas de advocacia, etc;
5.Realizar responsabilidades institucionais, tais como elaboração de relatórios de viagem e planos de trabalho, comunicados de imprensa, entre outros;
6.Auxiliar em tarefas administrativas gerais;
7.Outras funções que lhe forem atribuídas.
 
 
HABILIDADES
 
1.Demonstrar interesse no direito internacional dos direitos humanos;
2.Bacharel em Direito inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil –OAB (Preferência ter Mestrado, mas não é obrigatório);
3.Três anos de experiência profissional, de preferência com atuação internacional;
4.Excelente capacidade analítica e habilidade para desenvolver argumentação legal convincente;
5.Domínio do Inglês, com excelentes habilidades na modalidade escrita;
6.Habilidade para escrever, editar e comunicar fluentemente em português;
7.Capacidade para trabalhar por iniciativa própria e em equipe com outros profissionais;
8.Capacidade para trabalhar sob pressão e em vários projetos ao mesmo tempo;
9.Nenhuma restrição para realizar viagens nacionais e internacionais e disponibilidade para trabalhar em um ambiente multicultural.
 
Os pedidos serão considerados e os candidatos pré-selecionados serão entrevistados no escritório do Brasil ou por telefone/ou skype. Aqueles selecionados na entrevista deverão elaborar uma redação em inglês e desenvolverão um breve texto legal, ambos sobre um tema relevante para o Sistema Interamericano. 
 
O CEJIL oferece contrato CLT, salário compatível com advocacia das organizações da sociedade civil e seguro saúde. Os candidatos interessados devem enviar uma carta de apresentação (de uma lauda) e currículo até 14 de junho de 2011 para o e-mail dgouvea@cejil.org (assunto: Advogado escritório Brasil). Somente os candidatos selecionados para entrevista e provas serão contatados. 
 
CEJIL garante a igualdade de oportunidades para todas as pessoas qualificadas, sem qualquer discriminação baseada em raça, cor, religião, idade, deficiência, identidade de gênero ou orientação sexual.