terça-feira, 9 de julho de 2013

Lideranças e juventudes de Maranhão e Pará denunciam impactos da mineração e pedem debate sobre código de mineração


Cerca de 150 lideranças e jovens que se consideram atingidos pela cadeia de mineração e siderurgia ao longo do Corredor de Carajás voltaram a se encontrar, de 5 a 7 de julho, em Parauapebas, no V Encontro Regional dos Atingidos pela Vale.

O coletivo aprofundou prioritariamente a reforma do Código de Mineração, em tramitação no Congresso Nacional, denunciando a exclusão da sociedade civil organizada de qualquer debate e contestando veementemente o regime de urgência imposto ao debate parlamentar, também com um ato no centro da cidade de Parauapebas.

“As empresas tiveram quatro anos de tempo para negociar com o Governo as características da nova lei, não aceitamos que esse regime de urgência nos obrigue a debater o Código somente em noventa dias de tempo!” – comentou Sislene Costa, da rede Justiça nos Trilhos.

O novo Marco Legal da Mineração em tramitação no Congresso ignora de fato a presença de comunidades e os impactos provocados contra elas. “É como se o Brasil estivesse tirando minério do deserto” –comenta Mikaell, um dos jovens do movimento Juventudes Atingidas por Mineração.

Encontro dos atingidos
Estavam presentes no encontro várias lideranças dos assentamentos e acampamentos de Parauapebas e Canaã de Carajás (Pará), impactados pela duplicação da ferrovia de Carajás, a nova mina S11D em fase de abertura e o novo ramal ferroviário de 100Km para garantir o acesso a essa mina.

Igualmente atingidos pela nova ferrovia de Carajás em construção, estavam comunidades e lideranças de Marabá-PA e dos municípios maranhenses de Açailândia, Buriticupu, S. Rita, Anajatuba, Itapecuru Mirim, São Luís. Na capital maranhense acrescentam-se os impactos sobre as comunidades de pescadores, provocados pela ampliação do porto de escoamento de minério, Ponta da Madeira.
Não faltaram também as lideranças de Piquiá de Baixo, periferia açailandense gravemente atingida pela poluição das empresas siderúrgicas e da Vale.

Na mesma semana do encontro, houve pelo menos três interrupções do trem de minério da Vale, com ocupações dos trilhos por parte de povos indígenas e comunidades urbanas. O descontentamento das comunidades atravessadas pelo trem da Vale cresce a cada dia; nem a empresa nem o Estado estão conseguindo garantir dignidade e respeito aos cerca de dois milhões de moradores da área de influência da ferrovia.

Impactos da mineração
Cada encontro dos atingidos amplia a noção de impactados pela mineração: não se trata somente das pessoas mais próximas à mina, precisa considerar também os problemas causados pela ferrovia inteira, a construção do novo ramal ferroviário, as linhas de energia, as estradas de acesso à mina e a todas as novas instalações, a utilização de água para as obras e a poluição das bacias hidrográficas, o sistema siderúrgico, ambiental e socialmente agressivo, instalado no bojo do Programa Grande Carajás.

“A nova mina S11D, que recentemente recebeu licença de instalação, é fruto de uma fortíssima concentração de esforços políticos, financeiros e humanos da empresa Vale” – comenta Raimundo Gomes, do CEPASP Marabá. “A partir dessa licença, vão começar grandes obras e fortes impactos na região de Parauapebas e Canaã de Carajás”.

Com os ritmos de exploração previstos a partir de 2015 (240 milhões de toneladas de minério de ferro por ano), a inteira mina de Carajás desapareceria no breve tempo de 60 anos. “Com isso, desapareceria também um patrimônio ecológico e biológico único ao mundo, a savana metalófila, exemplo raríssimo de caatinga no meio da floresta amazônica” – explica o biólogo Frederico Martins em recente artigo publicado pela revista Não Vale.

Enquanto isso, a nova licença de instalação da mina vai trazer novos impactos. Os moradores do assentamento Palmares 1 lembram ainda dos velhos: “Dez anos atrás várias mulheres grávidas perderam seus filhos pelas explosões na mina de cobre. Ninguém avisava, acontecia tudo de repente. Muitas vezes marcamos reunião com a Vale para denunciar e pedir providências, eles prometiam que iam enviar uma equipe médica, mas empurravam com a barriga e nunca aconteceu nada. As explosões rachavam as casas, umas até caíram, uma pessoa que estava dentro de casa até se machucou...

Quando a área ficou pronta para a extração de cobre, eles utilizavam produtos químicos com um cheiro tão forte que adoecia as pessoas, especialmente quando o vento soprava na direção do assentamento.
Vários companheiros foram mortos atropelados pelo trem, fora animais e gado. Agora querem construir o novo ramal, nosso assentamento está a 300m da linha atual e 1000m da nova. A Vila Palmares vai ficar cercada por essas duas linhas. Como vamos viver nesse barulho e perigo?”.

A Vale tem pressa
A Vale tem pressa de resolver o acesso à sua nova “mina de ouro”, o projeto S11D, que vai garantir sozinho a exportação de 90 milhões de toneladas de ferro por ano. O problema é que, entre a mina e a ferrovia de Carajás, onde deverá ser construído o ramal ferroviário de conexão, existem comunidades rurais assentadas e produtivas.
O conflito existe há vários meses. Lideranças do assentamento Carajás 2 (com 79 famílias) e Nova Esperança (com 80 famílias) relatam ter recebido despejos violentos pela polícia e, em seguida, ameaças de pistoleiros. Suas casas foram queimadas, bem como a produção agrícola. “A Vale quer nos despejar e propôs de nos realocar no município de Moju, a 500 Km de distância! Eles vão ter que roer muita rapadura para tirar nós daí!” – protestam os assentados.

No município de Canaã dos Carajás a Vale comprou mais de 125 lotes de assentados. As associações produtivas acabam ficando enfraquecidas e desacreditadas.

O presidente do STTR local, José Ribamar, relata que vários associados vendem suas terras e abandonam o local, para voltar meses depois para Canaã, sem mais terra: “Vêm varrer ruas na cidade, sendo que eram pioneiros da região”.

A cidade de Canaã cresceu absurdamente. “Está agora com 150mil pessoas, os produtos para nossa sustentação vêm de fora, pois ninguém está produzindo. Não há planejamento, é pura sobrevivência”, conclui o presidente.

Todas as comunidades ao longo dos trilhos são unânimes em lamentar os numerosos impactos provocados pelo barulho, as vibrações e a frequência das passagens dos trens. “A empresa considera a ferrovia como propriedade particular. O que acontece na faixa de domínio é dela e não há interesse em dialogar sobre isso com as comunidades”, relatam os moradores.

O tema da segurança nas travessias é muito comum e foi motivo de diversos protestos nos municípios ao longo dos trilhos. As comunidades exigem viadutos nos locais onde precisam atravessar em segurança.
Em muitos casos, porém, falta diálogo da Vale com as comunidades, não está claro se e onde serão construídos túneis e viadutos e há conflitos a esse respeito.

As prefeituras municipais têm muito poder na relação com a Vale, nesse momento em que a empresa precisa de alvarás municipais para a execução das obras de duplicação da ferrovia.
Cada prefeitura poderia suspender os alvarás até quando não forem garantidas pela Vale condições de segurança e dignidade para as comunidades de seu território.

“Para nós pobres, brigar com a Vale sozinhos é como querer cortar a pedra com um machado”, afirmam os assentados. Entendendo que precisa fortalecer as vítimas desse modelo, lideranças de vários estados do País estão agora se organizando num movimento nacional e unitário, o MAM, Movimento dos Atingidos por Mineração.

Ao longo do mês de julho estão previstas várias mobilizações no território nacional. Prioridade absoluta, nas próximas semanas, é a eliminação do regime de urgência no debate sobre o Marco Legal da Mineração.


Assessoria de imprensa Justiça nos Trilhos, Parauapebas, 08 de julho de 2013

domingo, 7 de julho de 2013

Impunidad S.A.

COMUNICADO DE PRENSA

Por qué se requieren de manera urgente sistemas internacionales de normas vinculantes sobre los derechos humanos, aplicables a las empresas transnacionales
Viena, 26 de junio

En la Conferencia de la Sociedad Civil Viena+20 [1], las organizaciones de defensa de los derechos humanos a nivel internacional debatieron, entre otros temas, la necesidad urgente de establecer normas vinculantes sobre los derechos humanos, aplicables a las empresas transnacionales
En el mismo sentido, presentado en la Conferencia, el informe “Impunidad S.A.”[2], publicado por el Transnational Institute (TNI) y el Observatorio de la Deuda en la Globalización (ODG), se centra en la vasta arquitectura de la impunidad que se ha desarrollado para satisfacer los intereses del capital transnacional.  

Impunidad S.A., que ha surgido como parte de la Campaña global “¡Desmantelemos el poder corporativo i pongamos fin a la impunidad!”, [3] destaca los “súper derechos” y los “súper poderes” de las empresas transnacionales a través de tres estudios de caso. En la publicación se describen los abusos y las violaciones de los derechos laborales fundamentales que se producen diariamente en las fábricas textiles exportadoras que trabajan para estas empresas, como la fábrica textil de Marruecos, que trabaja para la empresa española Inditex. Esto está sucediendo a pesar del discurso sobre la responsabilidad social corporativa y con el apoyo del Acuerdo de Asociación (AA) entre la UE y Marruecos, que no establece ningún mecanismo de sanción para acabar con las violaciones de los derechos fundamentales. Otro testimonio de una situación similar se encuentra en el caso de Centroamérica, donde destaca la profunda asimetría que caracteriza la firma del Acuerdo de Asociación entre esta región y la UE. En este caso, se examina la impunidad garantizada de la empresa española Pescanova en Nicaragua. El estudio de caso se centra en sus impactos negativos por lo que respecta a las precarias condiciones de trabajo, el desplazamiento de los pescadores locales, la destrucción de sus medios de subsistencia y la contaminación del medio ambiente de la región. 

Impunidad S.A también indaga en el metabolismo social de Europa para examinar su dependencia sustancial a la importación de materias primas cada vez más estratégicas desde países empobrecidos. Describe la estructura de las exportaciones desde Sudamérica y África hacia Europa y cómo ello provoca que estos países continúen teniendo el papel de exportadores de materias primas y, por tanto, continúen en condiciones de pobreza. Una de las coordinadoras del informe, Mónica Vargas, del ODG, dijo: “Estas empresas utilizan Europa como una plataforma política para asegurar la defensa de sus intereses a través de la ‘diplomacia de las materias primas’, pero Europa es también la destinación de sus productos. Ese es el motivo por el cual los gobiernos de la Unión Europea están especialmente interesados en mantener el modelo corporativo generado de consumo y de producción capitalista que actualmente prevale en la UE”.

A partir de la investigación de las operaciones mineras de Glencore en Colombia, Bolivia y la República Democrática del Congo, de las cuales depende el metabolismo de la UE, el informe describe cómo una empresa transnacional gigante como ésta es capaz de obtener enormes beneficios y, a la vez, provocar graves conflictos sociales y medioambientales. El análisis de sus actividades en los países de MERCOSUR también constituye una prueba del control de Glencore sobre prácticamente toda la cadena productiva, bajo el modelo de “integración vertical” impuesto por la agroindustria. Brid Brennan, del TNI, comentó: “Cuando los Tratados de Libre Comercio (TLC), los Acuerdos de Asociación Económica (AAE) y los Acuerdos de Asociación (AA) ligados a esta empresa se colocan bajo el microscopio, se ve claramente cómo protegen esta empresa transnacional y le dan prioridades, de modo que únicamente sirven para aumentar su hegemonía e impunidad”. Impunidad S.A. describe, asimismo, las operaciones de Glencore en diversas áreas de la economía, centrándose en su papel en la especulación financiera de las materias primas.

Mediante información actualizada sobre la implementación de megaproyectos de infraestructura en Sudamérica (IIRSA-COSIPLAN), el tercer caso del informe se centra en las fundaciones físicas que apoyan la liberalización del comercio y en los costes económicos, sociales y medioambientales que eso supone para las comunidades afectadas. También se evalúa la contaminación adicional de los proyectos de infraestructuras a través de su financialización y enfatiza el papel que juega el capital europeo y el Banco Europeo de Inversiones (BEI). En este sentido, Impunidad S.A. revela otro hecho preocupante: aunque se empiezan a establecer las bases para contrarrestar el poder hegemónico a través de iniciativas como UNASUR, la reorganización territorial impulsada por el capital continúa avanzando como antes. También se dedica una sección a las mega-represas que se están construyendo en el río Madeira, en la Amazonia, en las que están implicados el Banco Santander, GDF-Suez, Abengoa, Voith, Siemens y otras empresas europeas.

Diana Aguiar, que forma parte de la coordinación de la Campaña global “¡Desmantelemos el poder corporativo y pongamos fin a la impunidad!”, comentó: “hay que establecer urgentemente un Tratado Internacional de los Pueblos, con el fin de proponer alternativas económicas y políticas, así como de establecer mecanismos legales vinculantes y un Tribunal Internacional para hacer que estos mecanismos se cumplan y para garantizar que las empresas rindan cuentas de sus acciones y sean sancionadas por los crímenes que cometen contra la sociedad y el medio ambiente”.

Contactos:
Mónica Vargas (EN, ES, FR)
Observatorio de la Deuda en la Globalización (ODG)
monica.vargas@odg.cat
+34-66 202 64 97
Diana Aguiar (EN, ES, FR, PT)
Campaña global “¡Desmantelemos el poder corporativo y pongamos fin a la impunidad!” dianaguiar@gmail.com
 Más información :
Documento de la sociedad civil con observaciones sobre la elaboración del “Plan Nacional de Empresas y Derechos Humanos” del Gobierno español

quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Colóquios Transdisciplinares: Direitos Humanos e Diversidades" realizará último debate nessa sexta feira (05)

Será realizado na próxima sexta feira (05), a partir das 18:30, no Prédio do Programa de Pós-Graduação em Direito e Instituições do Sistema de Justiça (PPGDIR) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), o último ciclo de debates do Colóquios Transdisciplinares: Direitos Humanos e Diversidades - o discurso jurídico, a razão prática e a afirmação de direitos: um diálogo crítico reflexivo a partir da percepção científica da antropologia e da psicologia.

O referido Colóquio promovido por integrantes da disciplina "Sistemas de Justiça Internacional e Direitos Humanos", pelo Grupo de Pesquisa "Cultura, Direito e Sociedade - CCSST/UFMA"  pelo UNICEF - Escritório São Luís, com o apoio da Coordenação do PPGDIR.

Neste último debate serão tratados dois importantes temas na sociedade contemporânea: 1) a violação de direitos de crianças e adolescentes, situando o Brasil no panorama internacional, e 2) a homotransfobia entre adolescentes.

A discussão sobre a violação de direitos das crianças e adolescentes será facilitada pela representante da PLAN Internacional, Elaine Azevedo. Já o debate sobre a homotransfobia entre adolescentes será facilitada pela Profa. Dra. Artenira Sauaia, titular do referido Programa de Pós Graduação. A mestranda Tuanny Soeiro será a coordenadora/debatedora do debate.

O Colóquios tem como objetivo principal discutir temas fundamentais para a promoção e afirmação de direitos de grupos historicamente marginalizados do processo de desenvolvimento e construção da identidade nacional, bem como fortalecer o vínculo entre a academia e a sociedade civil, na saudável e importante troca de conhecimentos.

Já estiveram na pauta de discussão do Colóquios temas como Identidades Campesinas, Povos Tradicionais e Ancestralidades (14/06), Religião de Matriz Africana e Identidades Culturais (21/06) e Despejos Forçados e Direito Humano à Moradia (28/06).

Importante ressaltar que o debate da próxima sexta é aberto ao público em geral (mestrandos, graduandos de todas as áreas, estudantes em geral e sociedade civil organizada) e não é necessário prévia inscrição, bastando comparecer ao local no horário de início. O auditório tem capacidade para 40 pessoas.

SERVIÇO
O QUE: Debates sobre "1) a violação de direitos de crianças e adolescentes, situando o Brasil no panorama internacional, e 2) a homotransfobia entre adolescentes";
QUE HORAS: das 18:30 até as 21:00hs.
AONDE: Prédio da Faculdade de Direito (sede do PPGDIR - Rua do Sol, 117, Centro, em frente ao Teatro Arthur Azevedo);
CAPACIDADE: 40 pessoas