quarta-feira, 26 de março de 2014

UNDB seleciona docentes para o curso de Direito

Edital de Seleção Docente

Processo Seletivo com vistas à contratação de Professores para o Curso de Direito
A Diretoria Acadêmica da Unidade de Ensino Superior Dom Bosco, no uso de suas atribuições legais, torna público os Processos de Seleção com vistas à contratação de docentes para o Curso de Direito.
As inscrições estarão abertas do dia 24 de março de 2014 a 04 de abril de 2014 e serão realizadas mediante entrega da Ficha de Inscrição devidamente preenchida, acompanhada do Currículo Lattes do candidato devidamente atualizado. Tais documentos deverão ser entregues, no horário das 14h às 20h, na Recepção da UNDB, situada à Av. Colares Moreira, n° 443, Renascença, São Luís/MA ou enviados para o e-mail direito@undb.edu.br com o assunto: SELEÇÃO DOCENTE 2014.2.
O processo seletivo será feito mediante prova didática e análise do Currículo Lattes do candidato, observados os itens listados em edital (abaixo). Para Membro do Núcleo Docente Estruturante, além da prova didática e análise do Currículo Lattes será realizada entrevista.
As bancas acontecerão no período de 07/04/14 a 25/04/14, em horário a ser divulgado pela Coordenação do Curso. A divulgação do resultado será no dia 05/05/2014.
Para mais informações consulte o edital abaixo.

Fonte: www.undb.edu.br

segunda-feira, 17 de março de 2014

1964: o ano que não terminou

Por Joãozinho Ribeiro
Poeta e Compositor

O mês de março de 2014 será caracterizado pela realização de vários eventos políticos e culturais, que terão como objeto maior a reflexão e o debate sobre o golpe militar de 1964, que neste ano completa cinqüenta anos de existência. Golpe este que deixou cicatrizes profundas na sociedade brasileira e influenciou diferenciados posicionamentos políticos de muitas gerações, que até hoje permanecem encravados no país, e afloram nas disputas que giram em torno da escrita da história do Brasil e do poder político em suas múltiplas dimensões.

Em nosso estado, mas precisamente na capital, nesta quarta-feira, 19/03, no auditório da Faculdade de História (UEMA), localizada no Centro Histórico, às 18h00, acontecerá uma destas primeiras iniciativas, promovida pela Comissão Arquidiocesana Justiça e Paz de São Luís. Trata-se do Projeto Quartas de Paz, que terá como tema central “REFAZENDO A HISTÓRIA E FAZENDO A MEMÓRIA – Março de 1964 – 50 Anos Depois”.

Nesta mesma linha, teremos o lançamento do livro “Travessias Torturadas – Direitos Humanos e Ditadura no Brasil (1964-1985)”, do jornalista potiguar radicado em Belém (PA), Dermi Azevedo, ex-preso político. Este evento é chancelado pela Sociedade Maranhense de Direitos Humanos e integra a programação do Dia Estadual de Combate à Tortura, 22 de março, instituído em homenagem ao artista popular Jeremias Pereira da Silva – GERÔ. O lançamento acontecerá na Galeria Trapiche (Praia Grande, em frente ao Circo Cultural da Cidade), nesta sexta-feira (21 de março), às 15 horas.

Os dois eventos acontecem em momento bastante oportuno de reavivarmos a reflexão e o debate sobre vários personagens e instituições que com suas ações deliberadas e omissões envergonhadas foram artífices e/ou responsáveis por um dos episódios mais dantescos da história política do país, que resultou numa longa noite de escuridão cultural, pautada no terrorismo de Estado e na institucionalização da tortura, do exílio e do simples assassinato de presos políticos, como método deliberado do Estado para implantação de um regime de terror e de censura, aniquilando fisicamente pessoas, cujas ações e pensamentos eram contrários a orientação do regime ditatorial que tanto infelicitou nossa nação.

A respeito desta noite tenebrosa aqui denominada Golpe Militar, recomendo a leitura de um excelente texto recentemente publicado na internet, de autoria do Professor Emérito da Faculdade de Direito da USP e Doutor Honoris Causa da Universidade de Coimbra, Fábio Konder Comparato, intitulado “COMPREENSÃO HISTÓRICA DO REGIME EMPRESARIAL-MILITAR BRASILEIRO”.

Nele, o autor discorre com impecável fluência intelectual as razões históricas do golpe e o papel que tiveram instituições e entidades como a Igreja Católica e a FIESP no apoio ao golpe e ao regime militar que se implantaria no país, assim como o próprio financiamento da verdadeira máquina de tortura que se instalou no em terras brasileiras, contando com o apoio deliberado de várias entidades empresariais, responsáveis pela instalação e manutenção de verdadeiras casas do terror, onde muitos militantes de organizações políticas de esquerda, contrários ao regime, foram barbaramente torturados, com muitos pagando com a própria vida.

Na conclusão do texto, o professor Fábio Konder Comparato tece uma acirrada crítica ao modelo de democracia representativa vigente no ordenamento jurídico nacional, ao mesmo tempo que nos brinda com uma mensagem de esperança e fé no povo brasileiro, com a qual encerro o presente artigo:

“Enquanto persistir essa triste realidade, não ficará afastada a possibilidade de voltarem a ocorrer prolongados desmandos políticos, como o provocado pelo golpe de Estado de 1964.

Felizmente, a consciência pública começa aos poucos a se dar conta de que a única via de solução para esse impasse consiste em instituir no país um regime político de efetiva soberania popular, no qual haja a supremacia constante do bem comum do povo (a res publica romana) sobre todo e qualquer interesse particular, com controles permanentes sobre o exercício do poder em todos os níveis. Em suma, a criação de um autêntico Estado de Direito, Republicano e Democrático.


Para alcançar esse objetivo, o caminho é longo e penoso. Mas o que importa é começar desde logo a dar os primeiros passos, no sentido da defesa intransigente da dignidade do povo brasileiro”.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Com voto histórico, TRF4 impede a liberação de milho transgênico da Bayer

Por Terra de Direitos

Decisão cria novos paradigmas jurídicos na matéria e também poderá servir para que se reavaliem todas as demais liberações comerciais de transgênicos no Brasil, já que em nenhum caso as empresas fizeram avaliações de riscos em todos os biomas do território nacional. 

Nesta quinta-feira (13), desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região – TRF4 decidiram, por unanimidade, anular a decisão da Comissão Nacional Técnica de Segurança - CTNBio que liberou do milho transgênico Liberty Link, da multinacional Bayer. A decisão se deu sob o fundamento de ausência de estudos de avaliação de riscos advindos do transgênico. A sessão julgou a Ação Civil Pública proposta em 2007 pela Terra de Direitos, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – IDEC e a Associação Nacional de Pequenos Agricultores e a AS-PTA, que questiona a legalidade da liberação comercial do Liberty Link.

O relator da ação, desembargador Federal Cândido Alfredo Silva Leal Junior, leu trechos de seu longo voto por aproximadamente uma hora e meia, sustentando a necessidade de realização de estudos sobre os impactos negativos dos transgênicos em todos os biomas brasileiros. Para Leal Junior, não bastam estudos realizados em outros países, pois a lei obriga que a decisão da CTNBio esteja amparada em estudos que avaliem o impacto dos transgênicos em cada um dos principais biomas do país. Além disso, o desembargador condenou a CTNBio a elaborar normas que permitam à sociedade ter acesso aos documentos dos processos que tramitam na Comissão, possibilitando a uma participação qualificada da população nos processos de liberação comercial.

As desembargadoras federais Marga Inge Barth Tessler e Vivian Josete Pantaleão Caminha, assim como o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores Lenz, seguiram integralmente a posição do desembargador relator, ressaltando a excelência do voto. Flores Lenz, que em julgamento anterior havia votado pela liberação do milho transgênico, mudou sua posição ressaltando que a análise do relator fará história e criará um novo paradigma de interpretação da matéria.

Com essa decisão o milho transgênico da Bayer não pode ser comercializado no Norte e Nordeste do Brasil, regiões onde não foram feitos estudos técnicos sobre riscos ambientais e à saúde humana advindos dos transgênicos. A decisão cria novos paradigmas jurídicos na matéria e também poderá servir para que se reavaliem todas as demais liberações comerciais de transgênicos no Brasil, já que em nenhum caso as empresas fizeram avaliações de riscos em todos os biomas do território nacional.

Para Fernando Prioste, advogado popular da Terra de Direitos que acompanha o caso, a decisão terá grande impacto no tema, pois obriga que se realizem estudos de avaliação de riscos em todos os biomas brasileiros e obriga a CTNBio a dar ampla transparência aos processos de liberação de transgênicos. “O voto de hoje merece um estudo detalhado, pois aborda o tema com profundidade, analisando os aspectos legais conjugando as consequências sociais e econômicas da liberação de transgênicos no Brasil para as futuras gerações”.

Prioste aponta que, apesar do TRF4 ter agora uma posição firme na matéria, as empresas deverão recorrer ao Superior Tribunal de Justiça e ao Supremo Tribunal Federal, possibilitando ampliar ainda mais o debate.

“Após dez anos de liberação comercial de transgênicos do Brasil, o debate sobre o tema se intensificou de forma mais complexa, expondo a debilidade da agricultura baseada nos transgênicos e agrotóxicos. A decisão judicial de hoje é um importante elemento que se somará à luta popular por um modelo de agricultura baseado na agroecologia, que garanta direitos aos agricultores e alimento saudável e sem agrotóxicos para a população”, afirmar o advogado da Terra de Direitos.

Saiba mais sobre o caso: